quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Moradora de Porto Seguro se revolta e desabafa sobre agressão de filho por homofobia na UFG


Vera Lucia Gomes da Silva Oechsle, fotografa e moradora na cidade de Porto Seguro, é mãe do estudante universitário que foi espancado por homofobia dentro das dependências da Universidade Federal de Goiás (UFG) por alunos portugueses que fazem intercâmbio na instituição.
O caso aconteceu no dia 2 de fevereiro e desde então vem ganhando destaque na mídia nacional, nas redes sociais e também ocorrendo manifestações de alunos na UFG e membros da sociedade organizada.
Vera Lúcia revoltada com a violencia sofrida pelo filho por preconceito e pela postura da UFG diante do caso, faz um desabafo emocionante.
Dia 2 de fevereiro, recebi uma ligação da minha filha pedindo que eu entrasse em contato com meu filho mais novo, Gabriel Gomes Campo. Ele foi agredido dentro do banheiro Casa do Estudante Universitário Samambaia (da Universidade Federal de Goiás) às 5h30, enquanto se preparava para ir ao trabalho na universidade onde estuda e mora. Não sei mais o que é ter paz para comer, dormir ou trabalhar. Sinto como se não tivesse chão, eu aqui a 1.600 km de distância e não podendo abraçar o meu filho ou consolá-lo. É difícil aceitar que um filho que criamos com amor e respeito possa ser agredido com sentimento de ódio razões homofóbicas. Estes rapazes só tinham em mente agredir ou matar... Não fossem os colegas chegarem a tempo, poderia ter acontecido uma tragédia.

O que mais me revolta é saber que enviei um filho para uma instituição federal com o único objetivo de estudar e se tornar um profissional qualificado. Acreditei que ele estaria protegido, mas que segurança é esta que, vendo meu filho apanhando, não faz nada, apenas olha. Não senti em nenhum momento alguma firmeza nas palavras do vice Reitor ao dizer que deveríamos ter calma. Como ter calma em uma situação como esta? Não queremos calma, mas sim a punição dos agressores. A universidade não protegeu meu filho em momento algum e me faço esta pergunta o tempo todo: por quê? Será que terei uma resposta? Não quero acreditar que exista preconceito dentro de uma instituição Federal. Diante de tudo isso, só espero que a UFG tome uma posição e puna os agressores para que isso não aconteça a outras pessoas.

Somente uma mãe que ama pode entender o que estou passando nestes dias. Não carregamos nossos filhos durante nove meses para eles serem tratados desta maneira. Nós os criamos para serem pessoas do bem, pessoas felizes. Peço justiça e que isso não se repita nem com meu filho, nem com os dos outros. Que tenhamos uma lei que nos proteja de agressões homofóbicas, que tenhamos atendimento decente e sem preconceitos. Que tenhamos o direito de existir sem medo.

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