sexta-feira, 13 de julho de 2012

Escutas sugerem acordo entre suplente de Demóstenes e Cachoeira

BRASÍLIA - Telefonema interceptado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostra o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conversando com um de seus aliados sobre um acordo que teria sido firmado com Wilder Morais (DEM-GO), herdeiro da vaga de Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Senado. As gravações não deixam claro quais seria os termos desse acordo e quando ele teria sido feito.
Demóstenes foi cassado nessa quarta-feira, 11, por seu envolvimento com o contraventor, acusado de corromper políticos e de comandar jogos ilegais em Goiás.
Na ligação, de maio do ano passado, Cachoeira orienta o ex-vereador tucano de Goiânia Wladimir Garcez, apontado pela PF como elo da organização com políticos, sobre uma reunião que teria com Wilder. Eles discutem como abordar o suplente de senador, que estaria "falando mal" de Cachoeira. "Tinha um acordo aí. Pode falar do acordo meio a meio?", pergunta Garcez a Cachoeira.
Na ocasião, Wilder já era secretário de Infraestrutura de Goiás, nomeado pelo governador Marconi Perillo (PSDB). No diálogo, o ex-vereador indaga Cachoeira se deve "jogar na cara" do suplente a ajuda dada pelo contraventor, que responde: "Se tiver oportunidade, você joga". Horas mais tarde, o ex-vereador volta falar com Cachoeira e presta contas do encontro. Ele diz ter lembrado Wilder do empenho de Cachoeira para que obtivesse a suplência de Demóstenes. Diz que o contraventor enfrentou a "raiva" de outros pleiteantes à vaga para bancá-lo na chapa.
Os problemas entre Cachoeira e o agora senador revelados nas conversas gravadas pela PF ocorreram num momento em que Wilder estava se separando de Andressa Morais, que no mesmo ano viria a morar com o contraventor na casa que pertencia ao governador Marconi Perillo.
As escutas da PF mostram que ela insistia em viver com Cachoeira, mas ele resistia, para não criar problemas com o suplente. "Você não entende. Deixei tudo por você" cobrou ela, numa conversa interceptada.
As investigações da PF complicam Wilder antes mesmo de tomar posse de sua vaga no Senado. Para alguns de seus pares na Casa, ele já está sob suspeição.
Além dos diálogos interceptados pela PF, ele omitiu parte de seus bens na declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentada na eleição de 2010.
"Se fosse o senador, tomaria posse de manhã e iria para a tribuna à tarde me explicar", afirmou Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), ponderando que, para chamá-lo à CPI, no entanto, são necessárias mais evidências de envolvimento com Cachoeira.
O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou que cobrará explicações de Wilder Pedro de Morais sobre as gravações e sobre a suposta omissão de parte do seu patrimônio na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral. Agripino disse que só vai pedir os esclarecimentos a Wilder depois que ele deixar a secretaria. "Ele tem que primeiro renunciar à secretaria. Esperamos que ele esclareça as dúvidas", afirmou Agripino.
Na praia. O Estado procurou Wilder para falar sobre sua relação com Cachoeira, citada nas conversas, mas sua assessoria de imprensa informou que não poderia contatá-lo, pois está de férias numa praia nordestina. Ele só deve tomar posse a partir de 25 deste mês, quando retorna do período de descanso.
Wilder, que é empresário, é novato na política. O primeiro cargo público que ele ocupou foi justamente o de secretário de Infraestrutura de Goiás, dado por Perillo no início de 2011.

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